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Brasil, destino mundial

No Dia Mundial do Turismo, o presidente da Confederação Nacional do Turismo (CNTur), Nelson de Abreu Pinto, publica uma carta aberta aos empresários do setor, à sociedade e às autoridades propondo uma reflexão mais ampla e profunda sobre a relevância do turismo para o Brasil.

 

Dia Mundial do Turismo

Por Nelson de Abreu Pinto*

Um país que está no imaginário popular do planeta; uma terra cujas belezas, tão variadas, únicas e inesquecíveis, são conhecidas e enaltecidas até por quem nunca aterrissou por aqui; um local cuja cultura – do samba à bossa nova, do Carnaval ao futebol, da literatura às novelas – é muitas vezes maior do que a sua própria extensão geográfica. Mas também um país de contrastes: apesar da inegável vocação turística, do apelo que sua imagem provoca em diversos tipos de viajantes ao redor do mundo, o Brasil ainda não aprendeu a fazer do Turismo um grande negócio. No Dia Mundial do Turismo, celebrado em 27 de setembro, a Confederação Nacional do Turismo (CNTur), representante de todas as empresas que formam esta gigantesca cadeia produtiva que atua na atividade, propõe, para além das comemorações, uma reflexão sobre o papel do turismo na atividade econômica brasileira.

Para início da pensata, alguns números capazes de contextuar o País no cenário internacional: o Brasil ocupa a segunda classificação, de 133 países, no ranking de recursos e belezas naturais e o 14o posto em bens culturais. Isto significa que o rol de atrações vai muito além dos 9,2 mil km de contorno de costa, esta grande faixa litorânea com paisagens tão diversificadas quanto mangues e falésias, estuários e recifes. O interior do país é tão ou mais rico que o litoral, em belezas naturais e em cultura, e proporciona tantas atividades quanto um turista puder imaginar.

Na visão externa, somos “o país mais bonito do mundo”, segundo a Condé Nast Traveler, revista direcionada ao turismo de alto padrão, e o povo mais “cool” do planeta, segundo a rede de notícias CNN. Somos um destino para onde 95% dos turistas querem voltar, segundo pesquisa da Embratur realizada ao final dos Jogos Olímpicos, e o país sobre o qual quase 30% dos viajantes mudaram suas percepções para uma opinião positiva após as Olimpíadas, segundo o site TripAdvisor.

Mas não estamos nem entre os 50 países mais visitados do mundo. Os 6,6 milhões de turistas que vieram ao Brasil em 2016 não atingem nem 10% dos 84,5 milhões que visitaram a França, líder no ranking da Organização Mundial do Turismo. O número também está longe dos 50 milhões de visitantes que, anualmente, desembarcam na pequena Veneza, na Itália. Apenas no mês de julho deste ano, a Espanha, com um território 15 vezes menor que o nosso, recebeu 10,5 milhões de estrangeiros – quase o dobro da nossa média anual. As disparidades entre estes números refletem-se diretamente sobre a geração de receitas para as empresas, de emprego e renda para a população e de impostos para os governos.

Precisamos começar a enxergar o turismo como uma “indústria” capaz de gerar riquezas para o Brasil – e só assim, ao constatar o seu potencial, o transformaremos na principal atividade econômica do País, com impactos diretos sobre a balança comercial. Precisamos de investimento em infraestrutura, como rodovias, ferrovias, aeroportos e terminais náuticos capazes de promover uma integração turística de excelência. Precisamos que revejam a carga tributária nacional e o tamanho do Estado. E precisamos também de medidas mais simples, como, por exemplo, a votação de projetos de Lei estimuladores do turismo, como o da regulamentação dos jogos. Mais do que uma questão moral, a permissão para o funcionamento de cassinos no País é uma questão de negócios: se liberada, a atividade tem potencial para injetar cerca de R$ 15 bilhões por ano na economia, entre receitas, impostos e salários. A título de exemplo, Las Vegas recebe anualmente 350 mil brasileiros, que movimentam cerca de US$ 5,4 milhões – montante que poderia ser gasto em território brasileiro, estimulando o turismo nacional.

É chegada a hora de o Brasil investir seriamente no turismo, sobretudo nas micro e pequenas empresas do setor, reformulando as políticas de projetos e investimentos da atividade junto aos bancos públicos e privados e junto aos governos, de forma a promover o desenvolvimento regional do turismo de forma harmônica e homogênea.

E que, no ano escolhido para ser o Ano Internacional do Turismo Sustentável para o Desenvolvimento, possamos iniciar de forma mais consistente a promoção e o impulsionamento da atividade turística, otimizando o potencial que o Brasil possui como destino mundial e permitindo que o País alcance o desenvolvimento econômico e social de que tanto precisa.